A Revolução Alemã das Bikes


Cada vez mais alemães trocam o uso exclusivo do carro pela alternativa eventual da bicicleta.

Porque os Eurpoeus estão muito mais avançados que nossa cultura terceiro-mundista que privilegia somente o automóvel.


A REVOLUÇÃO INTELIGENTE SOBRE DUAS RODAS


A bicicleta nunca foi tão apreciada. Cada vez mais alemães, franceses, italianos juntam-se aos holandeses e outros europeus e trocam as quatro rodas por duas.

E utilizam a bicicleta no dia-a-dia, como alternativa prática e barata para o carro.

Preço alto da gasolina, engarrafamentos demorados, busca enervante de estacionamento. 

Muitos já não possui carro, eles preferem a bicicleta.

Um bancário alemão pega  todas manhãs sua mountain bike e pedala até o escritório de terno e gravata. Muito prático: da porta da sua casa, uma ciclovia conduz diretamente ao Deutsche Bundesbank. 

Enquanto inúmeros motoristas se aborrecem no trânsito congestionado de Frankfurt, Kuss pedala tranqüilamente até o trabalho. Ele gasta pouco mais de 20 minutos para percorrer os cerca de cinco quilômetros.

"A bicicleta é para mim a alternativa mais rápida e mais saudável de ir ao escritório. Além de ser naturalmente a mais barata, diz Kuss.

Kuss trocou seu "PASSIVO" (o carro) que lhe tira dinheiro do bolso sempre, mesmo quando está parado na garagem ou estacionamento, pagando impostos, seguros e inúmeros outros gastos,  pelo "ATIVO", (a bike), cujo custo, quase zero, é compensado de longe pela qualidade de vida e saúde adquiridos, e sem as caras academias

Cada vez mais pessoas na Alemanha seguem o exemplo de Philipp Kuss e trocam as quatro rodas por duas. 

Hoje, cerca de 80% das casas alemãs já possuem bicicleta. E ela não é usada mais apenas nas horas de lazer, mas descoberta também, cada vez mais, como alternativa diária para o carro.

A isto se soma a nova imagem do ciclismo: pertence ao passado a época em que os ciclistas eram tidos como enfadonhos e a bicicleta, como apetrecho antiquado. A bicicleta é a
tendência do momento. Ela representa um estilo moderno de vida

O ciclismo é a última moda. Isto é o que afirma também o analista alemão de tendências, Matthias Horx. No seu Relatório de Tendências de 2008, ele profetiza: à http://www.abciclovias.com.br

O que analistas como Horx estão prevendo, já é sentido por dois setores. Na área de turismo, a Alemanha está se transformando num apreciado centro de viagens de bicicleta.

Mais de 20 milhões de alemães usaram a bicicleta durante as férias em 2007.

A grande demanda por viagens de bicicleta foi reconhecida também pelo Centro de Turismo Alemão (DZT). Ele publicou, juntamente com a Associação Alemã dos Ciclistas (ADFC), o guia turístico "Descobrindo a Alemanha de bicicleta", em alemão e inglês.

Outra beneficiada é a indústria da bicicleta. As 5700 lojas de bicicletas da Alemanha alegraram-se este ano com um volume de vendas maior que o de 2007, totalizando 1,7 bilhão de euros.

"A bicicleta é popular, não tem nenhum inimigo natural", afirma com visão otimista a Confederação das Indústrias de Bicicletas (ZIV).

Atualmente existem cerca de 68 milhões de bicicletas na Alemanha, às quais se somam mais de 4,5 milhões a cada ano.

Os consumidores alemães pagam, em média, 368 euros pela bicicleta.

Mas também pode ser muito mais, quando entram em jogo tecnologias ambiciosas e design atraente: a tendência da moda entre alguns dos 35 fabricantes alemães são as modernas bicicletas elétricas ou as flexíveis bicicletas dobráveis, que prometem um novo prazer no ciclismo.

O negócio com as bicicletas progride na Europa, onde é bem visível a tendência da nova mobilidade individual e da troca do carro ou dos transportes públicos pela bicicleta.

E é aí também que ela demonstra uma grande vantagem: em trechos urbanos de até seis quilômetros, a bicicleta é em média mais rápida que o automóvel.

Münster não é exceção neste caso. A cidade universitária é tida em toda a Alemanha como o paraíso dos ciclistas.

A cidade tem 250 mil habitantes e mais que o dobro de bicicletas. Mas também nas grandes metrópoles a revolução sobre duas rodas está progredindo e aumenta a participação das bicicletas no trânsito da Alemanha, que era até agora de modestos 10%.

Em Berlim, Hamburgo, Munique e Colônia existem encarregados municipais do trânsito de bicicletas, que são também um tema político: o governo federal aprovou um "Plano Nacional de Trânsito de Bicicletas", os municípios fixaram metas ambiciosas em relação a elas.

O prefeito de Munique quer transformar a capital bávara na cidade alemã mais agradável para ciclistas e aumentar assim de 10 para 15% a sua participação no trânsito urbano.

Mas há uma concorrente no Norte: Hamburgo pretende duplicar até 2015 a cota de bicicletas no trânsito, atingindo 18%.

Em Frankfurt, a cidade do bancário ciclista Philipp Kuss, uma outra iniciativa incentiva mais pessoas ao uso da bicicleta. O projeto-piloto da ADFC de Hessen e da Associação de Planejamento da Área Urbana Frankfurt/Reno-Meno é denominado de ";Bike & Business";. 

A meta é convencer as pessoas na metrópole do Meno e seus arredores a deixarem seus carros em casa e irem para o trabalho de bicicleta. "Com o projeto, pretendemos
fomentar o prazer do ciclismo e criar um ambiente favorável às bicicletas nas empresas, que podem então apresentar-se como firmas modernas e de consciência ecológica", afirma Norbert Sanden, da ADFC de Hessen, que dirige o projeto. Sanden está muito satisfeito com a repercussão: até agora, 45 mil pessoas de nove municípios e 14 grandes empresas proveitam o projeto "Bike & Business".

Entre as firmas, está também o Deutsche Bundesbank, onde trabalha Philipp Kuss. Foi uma das primeiras empresas a aderir ao projeto, em 2004, investindo desde então numa infra-estrutura melhorada para as bicicletas e propagando uso da bicicleta em eventos sobre mobilidade.

Com êxito: a cota dos empregados ciclistas aumentou de seis para os
cerca de 10% atuais. Agora só falta o Bundesbank pôr bicicletas à disposição dos seus funcionários, como foi feito pelo Google Deutschland, em Hamburgo. Em 2007, a empresa da internet presenteou seus funcionários com bicicletas novinhas e ganhou, pela iniciativa, o Prêmio Alemão de Ciclismo. 

Em Frankfurt, o Bundesbank não planeja comprar bicicletas e Philipp Kuss tampouco espera isto. Pois ele já tira proveito do ambiente favorável a bicicletas no banco.  Assim, pretende continuar indo para o escritório de bicicleta e não comprar carro, por enquanto.


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